“Diamante de Sangue” - Comentários
 
Na qualidade de representante em Portugal da CIBJO - Confederação Mundial de Joalharia, tive a oportunidade de assistir ao visionamento do filme da Warner Bros. Co. "Diamante de Sangue" de Edward Zwick, distribuído em Portugal pela Columbia-Tristar e que estreia a 28 de Janeiro.
 
Nessa qualidade, coloco-me à disposição para prestar todos os esclarecimentos, informações e contextualização deste magnífico filme protagonizado por Leonardo DiCaprio, relativamente ao estado actual do sector no que concerne ao comércio do diamante. As evoluções muito significativas que nesta matéria foram introduzidas pelo Sistema de Certificação do Processo Kimberley (vulgo Kimberley Process) promovido pelo World Diamond Council, no qual a CIBJO tem assento directivo, deram uma resposta categórica ao problema dos diamantes de conflito que são o pano de fundo para o enredo desta longa metragem. Convém referir que, em Portugal, é a DGAIEC - Direcção Geral das Alfândegas e Impostos Especiais sobre o Consumo, que tem a seu cargo a observação desta norma internacional de controlo aduaneiro em vigor na União Europeia desde 2003. A propósito, desde 1 de Janeiro cabe a um membro da Comissão Europeia a presidência do "Kimberley Process".
 
De acordo com os números oficiais, 1999 a percentagem de diamantes de conflito rondava os 4% do seu valor total, estando actualmente esse valor muito reduzido e abaixo de 0,5% em virtude das acções que o sector desenvolveu em conjunto com as ONG's, Nações Unidas e os governos dos países produtores, transformadores e consumidores de diamantes. O sítio www.diamondfacts.org contém informações relevantes nesta matéria, dando uma perspectiva histórica e actual do problema, salientando-se que, hoje em dia, mais do que nunca, os diamantes constituem a solução e não o problema, já que, por exemplo, no Botswana, Namíbia e, diga-se, a Serra Leoa, oferecem contribuições muito significativas para a sua economia.
 
Porque o sector que aqui represento está empenhado em dar a conhecer à comunidade que existe um sistema de garantias que permite ao consumidor assegurar-se da origem legal e benigna dos diamantes, e porque há que salvaguardar uma eventual má interpretação do filme, com as consequências nefastas que um boicote ao diamante provoca, nomeadamente nos países em desenvolvimento de onde procedem (relembro que em 2000 as exportações de diamantes da Serra Leoa somavam cerca de USD$10.000.000, estando agora em tempo de paz, de acordo com os números oficiais, numa cifra 14 vezes superior, nos USD$140.000.000), aqui renovo a minha disponibilidade para, através de V. Exas, contribuir para a divulgação desta realidade, constituindo este filme, em meu entender, mais do que uma ameaça, uma oportunidade.
 
Rui Galopim de Carvalho
CIBJO Ambassador to Portugal
 
 
Cinema
2007/01/10
 
2006 © Warner Bros.