Este glossário com cerca de 150 entradas pretende ser um contributo para uma melhor utilização dos termos gemológicos.
 
A
Adulária - Variedade de feldspato (ortoclase) branca a incolor, podendo ser amarelada,
que exibe o efeito de adularescência, ocorrendo, ou não, ligeiros efeitos azulados.
Também é conhecida pelo nome comercial de pedra-da-lua. Ocorre no Sri Lanka, Índia,
Madagáscar e EUA.
 
Ágata - Variedade de calcedónia (quartzo microcristalino) com bandeado característico,
normalmente translúcida e em várias cores: castanho, amarelo, azulado claro (raro), verde
(muito raro) e preto, todavia, a grande maioria das ágatas são tingidas. Ocorre no Brasil,
Uruguai, Índia, África do Sul, Austrália.
 
Água-marinha - Variedade azul a azul esverdeada de berilo (os melhores exemplares são
azul intenso). O tratamento térmico é frequentemente efectuado para remover a
componente verde, evidenciando o azul. Ocorre no Brasil (Minas Gerais, Espírito Santo,
Ceará), Madagáscar, Moçambique (em Macula), Nigéria, Paquistão e Rússia. Imitações:
vidro, espinela sintética e topázio azul.
 
Alexandrite - Variedade muito rara de crisoberilo, rica em crómio, que tem a
particularidade de trocar de cor consoante a fonte de luz: vermelho, em luz
incandescente; verde, em luz de dia, sendo este efeito conhecido por efeito alexandrite.
Pode ocorrer com efeito de olho-de-gato. Ocorre na Rússia, Brasil, Tanzânia, Índia,
Madagáscar e Sri Lanka. Imitações: materiais gemológicos com efeito de alexandrite (e.g.
safira natural e sintética, granada); vários tipos de alexandrite sintética.
 
Aljôfar - Termo muito usado no século XVI para designar pérolas, em particular as do
Golfo Pérsico. Hoje em dia, ainda subsiste em alguns meios das artes decorativas e
antiguidades como sinónimo de pérola natural pequena. Não é usado, porém, na
terminologia gemológica.
 
Almandina - Termo ferrífero (rico em ferro) de granada, de cores vermelhas, podendo ter
uma forte tonalidade rosa, sendo neste caso denominada rodolite. Pode ocorrer com
asterismo. Ocorre em quase todo o mundo, mas com destaque para a Índia, Brasil,
Madagáscar, Zâmbia, Austrália, Moçambique e EUA.
 
Amazonite - Variedade gemológica azul esverdeada de microclina (feldspato) que ocorre
no Brasil, Moçambique e EUA.
 
Âmbar - Resina fóssil proveniente de árvores da família do pinheiro (e.g. Pinus succinifera)
que viveram há mais de 30 milhões de anos (havendo exemplares com mais de 120
milhões de anos), essencialmente constituído por compostos orgânicos e ácido succínico,
podendo ter inclusões de insectos, aracnídeos, ou outros organismos, o que constitui factor
de valorização. Ocorre em diversas colorações, tendo as variedades mais comuns tons de
amarelo-alaranjado a vermelho. Peças de menores dimensões e exemplares pouco
transparentes são geralmente tratados por aglomeração e prensagem a temperaturas
moderadas (âmbar reconstruído ou prensado) o que, por vezes, deixa marcas de stress,
características que lembram leques brilhantes. Imitações: vidro, plástico e copal.
 
Ametista - Variedade violeta de quartzo, que ocorre na Rússia, Brasil, Uruguai, EUA,
Zâmbia, Tanzânia, Madagáscar, Sri Lanka e Índia. Produzem-se largas toneladas de
ametista sintética por processos hidrotermais. Imitações: vidro e dobletes.
 
Apatite - Mineral rico em fósforo, que tem variedades gemológicas coloridas (azul, verde,
verde-azulado, violeta, amarelo, castanho e, por vezes, com efeito de olho-de-gato).
Ocorre no Brasil, Madagáscar, Moçambique, Quénia, Índia, Myanmar e Sri Lanka.
 
Asterismo -Efeito óptico de reflexão da luz causado por conjuntos de múltiplas inclusões
tubulares/aciculares paralelas (e.g. diópsido, rubi, safira, granada, quartzo). Sinónimo de
efeito de estrela.
 
Aventurina - Termo genérico que se refere a diversos materiais com características
texturais comuns, que se resumem na existência de inúmeras pequenas inclusões.
Exemplos: pedra-do-Sol, quartzo aventurina, vidro aventurina.
 
 
B
Berilo - Mineral essencialmente constituído por alumino-silicato de berílio com diversas
variedades gemológicas: esmeralda (verde-azulado intenso); água-marinha (azul);
morganite (cor-de-rosa); heliodoro (amarelo); goshenite (incolor); berilo vermelho e berilo
verde. Além do uso gemológico, é importante minério de berílio, metal com várias
aplicações industriais.
 
Biwa - (Loc.) Nome do lago em Honshu, no Japão, onde até recentemente houve
produção de pérolas de cultura de água doce, muitas vezes chamadas pérolas biwa.
 
Brilhante - Expressão de gíria muito utilizada para designar o diamante, mas que, em rigor,
se refere a um estilo de lapidação e não a um material gemológico. Ver talhe brilhante.
 
Bruto - Adjectivo que qualifica os materiais gemológicos não trabalhados.
 
 
C
Cabuchão - (Lap.) É um estilo de lapidação milenar que consiste numa superfície curva
polida com base plana, côncava ou convexa e de contornos variados. É usado para pedras
não transparentes ou com demasiadas inclusões, assim como para pedras com efeitos
ópticos particulares, como, por exemplo, asterismo, olho-de-gato e iridescência. Na gíria,
tanto se diz cabochon, como cabuchão.
 
Calcedónia - Nome genérico do quartzo microcristalino fibroso que inclui o grupo das
ágatas, cornalina, sarda, prásio, crisoprásio e ónix. Normalmente branca e leitosa, é
susceptível de alojar impurezas que são as responsáveis pelas cores que pode apresentar
devido à sua textura porosa.
 
Camafeu - (Lap.) Gravura em relevo, geralmente efectuada em pedras translúcidas a
opacas zonadas com colorações diferentes (e.g. ágata, concha), em que o desenho
sobressai de um fundo de cor contrastante. São também conhecidos camafeus obtidos por
moldagem ou prensagem em materiais como o vidro e cerâmicas.
 
Carbúnculo - Termo latino antigo utilizado por Plínio, o Velho, que aludia a gemas
vermelhas, semelhantes ao carvão, sinónimo de antrax, entre as quais se incluía a
espinela, o rubi e a granada.
 
Cintura _ (Lap.) Charneira que separa a coroa do pavilhão numa pedra facetada. A cintura
pode ser polida, facetada ou, simplesmente, não trabalhada.
 
Cimofano - Rara variedade gemológica de crisoberilo amarelo, com efeito de olho-de-
gato. Ocorre principalmente no Sri Lanka e no Brasil.
 
CITES - Abrev. de "Convention on International Trade in Endangered Species of Wild
Fauna and Flora" que é um tratado que regula o comércio internacional de espécies de
fauna e flora selvagem em vias de extinção e que foi assinado em Washington D.C. em
1973, tendo entrado em vigor em 1975. Actualmente, existem mais de 160 países
signatários do tratado, incluindo Portugal e a UE. Neste tratado são protegidos animais que
estão na origem de alguns materiais gemológicos tais como, por exemplo, elefante,
rinoceronte, hipopótamo, narval, cachalote, morsa, tartaruga marinha, coral azul e coral
negro.
 
Citrino - Variedade gemológica de quartzo amarelo a amarelo alaranjado habitualmente
resultante do tratamento térmico de ametistas. Ocorre fundamentalmente no Brasil.
Produzem-se largas toneladas de citrino sintético por processos hidrotermais. É ainda
erradamente designado de topázio.
 
Coral - Exosqueleto de colónias de animais marinhos (celenterados), essencialmente
constituído por carbonato de cálcio (aragonite ou calcite) e uma pequena percentagem
de matéria orgânica (carotenos) que é responsável pela sua cor que vai do vermelho (coral
nobre), ao branco, passando por várias tonalidades de rosa (incluindo o coral pele de
anjo). A sua textura alveolar e tubular é muito característica. Ocorre no Japão, Malásia;
Costas mediterrâneas, Golfo da Biscaia, Cabo Verde, Mar Vermelho e Havai. Imitações:
vidro, plástico, porcelanas, marfim vegetal e osso tingido.
Cordierite - Mineral de cor violeta, com um pleocroísmo muito forte, também designado
por iolite, que foi em tempos conhecido como safira d'água. Ocorre na Índia, Brasil,
Madagáscar, Myanmar, Rússia, Canadá.
 
Corindo - Mineral essencialmente constituído por óxido de alumínio, que é incolor quando
puro e que tem diversas variedades gemológicas: rubi, vermelho; safira, azul e todas as
outras cores; padparadscha, rosa-alaranjado; variedades com asterismo. Além do uso como
gema, também é aproveitado como abrasivo devido à sua elevada dureza, 9 na escala de
Mohs.
 
Coroa _ (Lap.) Porção superior de uma pedra facetada onde, caso exista, se encontra a
mesa, separada do pavilhão pela cintura.
 
Corozo - Designação comercial do marfim vegetal.
 
Crisoberilo -Mineral de elevada dureza com diversas variedades gemológicas: alexandrite,
cimofano, amarelo e amarelo-esverdeado. Ocorre (excepto alexandrite e cimofano) no
Brasil, Myanmar, Sri Lanka e Tanzânia. Os crisoberilos amarelo-esverdeados que foram
utilizados na joalharia portuguesa do séc. XVIII e XIX, eram então descritos como
crisólitas.
 
Crisólita(o) - (1) Nome não científico dado em Portugal e no Brasil ao crisoberilo amarelo-
esverdeado, muito utilizado nos sécs. XVIII e XIX. (2) Nome incorrecto e descontinuado da
variedade gemológica de olivina (peridoto). (3) Nome gemológico antigo, usado com o
respectivo indicativo de localidade, que designava vários materiais gemológicos (e.g.
topázio, safira amarela, olivina, crisoberilo e moldavite).
 
Cristal - (1) (Min.) Toda e qualquer porção de matéria cristalina homogénea, ou seja, uma
entidade sólida cujos átomos, iões ou moléculas constituintes se encontram organizados
de uma forma geométrica e tridimensional, relacionados uns com os outros através de
operações de simetria. Esta estrutura organizada é teoricamente projectada na forma
exterior do cristal, que corresponde a um sólido geométrico. (2) Designação antiga do
quartzo hialino, por se pensar que este resultaria do gelo num estado de congelação
profunda. (3) Vidro artificial rico em chumbo muito usado hoje em dia em baixelas e
lustres.
 
Cristal-de-rocha - Nome comercial do quartzo hialino. Antigamente chamado apenas de
cristal, foi-se acrescentado "de-rocha" para o distinguir do actual cristal (vidro).
Cromo-diópsido - Diópsido rico em crómio, muito brilhante e com cor verde-esmeralda,
usado como gema com relativa frequência. Ocorre na Rússia, Myanmar, África do Sul e
Quénia.
 
Culatra _ (Lap.) Ponta, vértice ou extremidade de uma pedra lapidada. A culatra nem
sempre constitui uma faceta polida, podendo apenas ser uma extremidade pontiaguda.
 
 
D
Demantóide - Variedade gemológica muito rara de granada (andradite) com cor verde
clara a verde intensa, brilho forte (sub-adamantino) e dispersão elevada. É habitual conter
inclusões fibrosas de asbesto (bissolite) em forma de rabo-de-cavalo, que lhe são muito
características e que lhes conferem, por vezes, um maior valor comercial. Ocorre na Rússia
e Namíbia
 
Diamante - Mineral essencialmente constituído por carbono puro cristalizado, polimorfo da
grafite, com propriedades físicas muito particulares, tais como a dureza (10 na escala de
mohs), o brilho e a dispersão de luz, que o tornam único, quando lapidado. Inclui
variedades incolores (ligeiramente amareladas ou acastanhadas), negro, quase todas as
outras cores (chamadas fancy) e camaleão. O diamante tem vários sistemas de
classificação: GIA, IDC, Scan DN e CIBJO cujos critérios são a cor, a claridade (ou pureza),
o peso e a lapidação, conhecidos como 4 C's. Imitações: Artificiais: moissanite sintética,
zircónia cúbica, GGG, YAG, titanato de estrôncio, rútilo sintético, safira sintética, espinela
sintética, vidro; Naturais: zircão, safira, topázio, quartzo hialino. Desde 1971 que se
produzem diamantes sintéticos com qualidade gemológica, sendo actualmente produzidos
em diversas cores.
 
Diamante camaleão - Variedade muito rara de diamante, que troca de cor consoante a
temperatura e a luminosidade, daí o nome. Quando, no escuro, por um longo período de
tempo, fica amarelo e, quando é exposto à luz, começa a alterar progressivamente a sua
cor para verde. Se for ligeiramente aquecido, a cor regressa a um tom de amarelo canário.
 
Diamante negro - (1) Diamante de cor negra, natural, devida a uma grande profusão de
inclusões escuras, e.g. grafite, magnetite. (2) Diamante negro de cor artificial, obtido por
irradiação, acompanhado, ou não, por subsequente tratamento térmico, e que constitui a
esmagadora maioria dos diamantes negros do mercado, em especial os de pequena
dimensão.
 
Diópsido - Variedade de piroxena que pode ser usada como gema, em particular na sua
variedade negra com asterismo (estrela com 4 raios) que ocorre fundamentalmente na
Índia e na variedade verde rica em crómio (cromo-diópsido).
 
Doblete - Tipo de pedra composta, já conhecida há cerca de dois milénios e referida
Plínio, o Velho. Consiste numa junção, com colas incolores ou vivamente coloridas, de
dois pedaços de material transparente ou translúcido. Muito utilizado em Portugal no séc.
XVIII.
 
Dureza - (Min.) Resistência dos materiais à abrasão ou à penetração, sendo geralmente
apresentada em função da Escala de Mohs. Um número significativo de gemas tem dureza
superior a 7, sendo esta propriedade de particular importância não só na sua identificação,
como também na sua durabilidade. É altamente desencorajado o teste de durezas, já que
este, sendo potencialmente destrutivo, pode danificar os materiais gemológicos.
 
 
E
Escala de Mohs - (Min.) Escala numérica idealizada pelo mineralogista alemão Frederick
Mohs, em 1822, dispondo 10 minerais comuns numa sequência de 1 a 10, dos menos aos
mais duros, sendo que os de número superior riscam os de menor número, nunca sendo
riscados por estes: 1 - Talco, 2 - Gesso, 3 - Calcite, 4 - Fluorite, 5 - Apatite. 6 - Ortoclase, 7 -
Quartzo, 8 - Topázio, 9 - Corindo, 10 - Diamante. Esta escala é meramente relativa, apenas
relacionando durezas entre minerais.
 
Escapolite - Designação geral do mineral do grupo marialite-meionite, que tem variedades
translúcidas e transparentes, normalmente de cores claras, em tons de amarelo, rosa e
violeta, existindo variedades com efeito olho-de-gato. Ocorre em Myanmar, Sri Lanka,
Moçambique, Madagáscar, Brasil e Quénia.
 
Esmeralda - (1) Variedade verde-azulada forte de berilo, cuja cor é devida a crómio e/ou
vanádio. Ocorre quase sempre com inclusões visíveis a olho nu, sendo os exemplares
completamente livres de inclusões muito raros e valorizados. Ocorre na Colômbia
(principal produtor mundial), Brasil, Zâmbia, Zimbabué, Rússia (montes Urais), Paquistão,
Afeganistão, Madagáscar, Moçambique e Índia. As esmeraldas são habitualmente tratadas
com o preenchimento de fracturas com substâncias incolores: óleos, resinas naturais (e.g.
bálsamo do Canadá), ceras, resinas sintéticas (e.g. prepolímeros e polímeros epoxy:
Opticon, Permasafe, Araldite. Imitações: vidro, turmalina, calcedónia, dobletes, quartzo
estalado e pintado de verde (crackled quartz). Desde 1960 que se fabrica comercialmente
esmeralda sintética. (2) Ver talhe esmeralda.
 
Espessartite - Granada rica em manganés, geralmente de cor alaranjada, tendo
conquistado um lugar de relevo no mercado apenas na década de 1990. Ocorre na
Namíbia, Madagáscar, Zâmbia, Nigéria, Moçambique.
 
Espinela - Mineral (óxido de alumínio e magnésio) com inúmeras variedades gemológicas
de quase todas as cores, registando-se alguns nomes comerciais: ceilonite (verde escuro),
cloro-espinela (verde), ghano-espinela (azul), picotite (castanho a negro). A mais
importante do ponto de vista gemológico é a vermelha, que foi descrita na antiguidade
como, carbúnculo, ballas, balax, rubi-balaio ou rubi-espinela, constituindo, não só uma
gema de grande valor, como também uma ancestral imitação de rubi. Existem variedades
com efeito de alexandrite e com asterismo (4 e/ou 6 raios). Ocorre no Sri Lanka, Myanmar,
Tanzânia, Madagáscar, Afeganistão, China, Rússia.
 
Espodumena - Mineral pegmatítico da família das piroxenas, rico em lítio, que inclui as
variedades gemológicas kunzite (rosa) e hiddenite (verde causado por crómio), podendo
também ocorrer em variedades verdes (sem crómio), incolores e amarelas. Ocorre no
Brasil, Moçambique, Madagáscar, Afeganistão, EUA.
 
 
F
Fluorite - Mineral relativamente comum de baixa dureza que ocorre em diversas
tonalidades de verde, amarelo e violeta (por vezes multicolores e incolores) que ocorre no
Brasil, EUA, Namíbia e Afeganistão.
 
Forsterite sintética - Por vezes designado como peridoto sintético, é uma pedra sintética
produzida pelo método de Czochralsky, que foi detectada no mercadoe em 1999 co0mo
substituto de tanzanite devido à sua cor violeta e brilho intenso. É, por vezes, erradamente
designada de tanzanite sintética.
 
 
G
Gema - Palavra derivada do latim gemma e que em Portugal já é empregue por Camões
nos Lusíadas no séc. XVI. Define-se como material cuja beleza, raridade e durabilidade o
tornam aplicável em joalharia ou apta para uso de ornamentação. Podem ser minerais
(e.g. diamante, topázio, granada), substâncias orgânicas (e.g. coral, pérola), rochas (e.g.
lápis lazúli, unakite), e substâncias amorfas (e.g. opala, moldavite).
 
Gemologia - Ramo do conhecimento científico que estuda os materiais gemológicos
quanto à sua natureza, variedades, propriedades físicas e químicas, inclusões,
proveniências, tratamentos, lapidação, imitações, sintéticos, etc., recorrendo a técnicas
não destrutivas de identificação. A gemologia é um domínio interdisciplinar, abarcando
áreas científicas da mineralogia, cristalografia, geologia, geoquímica, química, física e
biologia. Além desta vertente académica, existe uma estreita relação com o mercado de
pedras preciosas, e também, por analogia, da Joalharia. A gemologia dita convencional
tira partido de tecnologias relativamente simples, como sejam a microscopia óptica, a
espectrometria, a determinação de propriedades físicas (índice de refracção, pleocroísmo,
fluorescência, densidade, etc.) e, fundamentalmente, do uso experimentado e crítico da
lupa de 10x. Por seu lado, nos laboratórios gemológicos profissionais dos mercados mais
sofisticados recorre-se não só à gemologia convencional, mas também a tecnologias de
ponta, como, por exemplo, espectrofotometria (UV-VIS-IR, FTIR, EDXRF, RAMAN),
microscopia electrónica, catodoluminescência, etc.
 
GGG - Acrónimo anglo-saxónico para Gallium Gadolinium Garnet que corresponde ao
produto artificial fabricado desde 1960 como imitação de diamante.
 
Goshenite - Variedade incolor de berilo, pouco comum como gema. É normalmente
tratada para a obtenção de outras cores mais comerciais. No final do séc. XVIII e princípios
de XIX era usada em joalharia de prata, sendo por vezes classificada como Minas Novas
juntamente com outras pedras incolores.
 
Granada - Grande família mineral de silicatos incluindo variedades-gema de cor e
características diversas: almandina (vermelho, rodolite - rosa), piropo (vermelho),
espessartite (laranja), grossulária (hessonite - laranja, tsavorite - verde), andradite
(demantóide - verde, melanite - negra), hidrogrossulária (verde e rosa translúcido).
Raramente ocorre incolor e não são conhecidas variedades azuis ou lilases.
 
Grão - Unidade de peso utilizada para pérolas naturais e, por vezes, para diamantes,
equivalente a 50 mg (0,05 g ou 1/4 de quilate).
 
 
H
Heliodoro - Variedade amarela a amarela-dourada de berilo que ocorre na Namíbia,
Rússia, Cazaquistão, Madagáscar, Brasil e Afeganistão. É pouco utilizado em joalharia
portuguesa.
 
Hessonite - Variedade gemológica de grossulária (granada) de cor laranja,
frequentemente com inclusões características que, ao microscópio, têm aparência
granular e oleosa que ocorre noi Sri Lanka, Índia e Austrália. Era antigamente designada
jacinto. Confunde-se facilmente com a espessartite.
 
Hiddenite - Variedade verde de espodumena, rica em crómio, de grande valor
gemológico, procedente unicamente dos EUA.
 
Hidrogrossulária - Variedade hidratada de grossulária (granada), que ocorre em hábito
massivo e em diversas cores (rosa, branca, azulada e verde, a mais conhecida) que ocorre
na África do Sul, Paquistão, Nova Zelândia e Tanzânia.
 
 
I
Imitação - (1) Qualquer material natural ou artificial que seja empregue para imitar um
outro material, independentemente da sua composição e estrutura. (2) Segundo as normas
da CIBJO imitações são "produtos artificiais que imitam a aparência de pedras preciosas,
gemas, pedras duras ou substâncias orgânicas, sem que apresentem a mesma composição
química e/ou estrutura e/ou propriedades físicas".
 
Inclusão - Qualquer entidade (minerais, partículas sólidas, líquidos, gases, fracturas,
clivagens ou outros defeitos) que esteja (inclusa) dentro de um material gemológico. São
de extrema importância em gemologia, por exemplo, na identificação de materiais,
determinação de origem geográfica, identificação de tratamentos, bem como na
classificação de qualidade de certos materiais gemológicos. A observação das inclusões é
normalmente efectuada ao microscópio.
 
Indicolite - Designação comercial da turmalina azul que ocorre no Brasil, Moçambique,
Namíbia e Madagáscar. Em bom rigor deverão designar-se de turmalina (var. elbaíte) azuis
 
 
J
Jacinto - Termo antigo que se pode aplicar a várias gemas: variedade alaranjada de
grossulária (hessonite), zircão vermelho-acastanhado e, menos frequentemente, safira
alaranjada. Todavia, tradicionalmente, refere-se ao zircão e à granada.
 
Jade - Termo que até 1863 englobava a nefrite e a jadeíte e que em linguagem corrente
tem esse significado. O jade já é conhecido, apreciado e trabalhado na China há milénios
sendo representado com um ideograma que simbolizava o Céu, a Terra e o Homem. Hong
Kong e Rangoon (Myanmar) constituem os seus mais importantes centros de comércio.
Também na América Central pré hispânica o jade local era utilizado em objectos diversos.
 
Jadeíte - Mineral criptocristalino granular de elevada tenacidade, pertencente ao grupo
das piroxenas, que ocorre numa grande variedade de cores, incluindo o verde, o verde
esmeralda (causado pelo crómio), o branco, o violeta (causado pelo manganés), o
castanho, o vermelho, o laranja, o amarelo e o preto (que na realidade é um verde muito
escuro). Ocorre unicamente em Myanmar e na Guatemala. Imitações: nefrite, bowenite,
hidrogrossulária, quartzo aventurina, pedra-sabão, mármore, quartzito e vidro.
 
 
K
Kunzite - Variedade cor de rosa a violeta de espodumena que ocorre nos EUA, Brasil,
Moçambique, Madagáscar e Afeganistão.
 
 
L
Labradorite - Variedade de plagioclase (feldspato) de tom amarelo a incolor, podendo
apresentar-se noutras colorações quando ocorre com inclusões de hematite e cobre, sendo
então conhecida comercialmente como pedra-da-lua negra. Ocorre em Madagáscar,
Canadá, EUA e Ucrânia.
 
Lápis lazúli - Rocha azul composta por diversos minerais (e.g. haüynite, sodalite, lazurite),
contendo por vezes calcite e pirite que ocorre no Afeganistão (proveniência milenar dos
melhores exemplares), Rússia, Chile, EUA e Mongólia. Pode ser impregnado e tingido.
Imitações: sodalite, jaspe tingido.
 
 
M
Mabe - Nome genérico dado às meias pérolas produzidas através de uma técnica que
envolve a inserção de uma hemisfera de p.ex. pedra sabão, junto à concha de certas ostras
nacradas, provocando a sua cobertura por nácar.
 
Marcassite - (1) Nome incorrectamente atribuído à pirite utilizada como simulante de
diamante desde há muito devido ao seu brilho. (2) Mineral metálico polimorfo da pirite.
 
Marfim - Senso lato, é o material que constitui o interior dos dentes dos mamíferos e que é
empregue nas artes decorativas (e.g. joalharia, mobiliário). Na maioria dos casos, o marfim
é retirado dos dentes incisivos de certos mamíferos terresteres (e.g. elefante, hipopótamo) e
marinhos (e.g. cachalote, morsa), assim como do mamute, já extinto mas cujas presas são
consideradas marfim fóssil. Em virtude da situação de algumas espécies animais, existem
variedades de marfim que têm a sua comercialização monitorizada pela CITES. Um
substituto comum é o chamado marfim vegetal.
 
Marfim fóssil - Designação comercial do material retirado das presas dos mamutes e que é
comercialmente designado de marfim de mamute.
 
Marfim vegetal - Designação comercial das sementes amadurecidas duras da Jarina
(Phytelephus macrocarpa) que vive nomeadamente na América Sul. Estas sementes têm
cor branca a amarelada e textura semelhante à do marfim, sendo, por isso, chamado de
marfim vegetal. Este material tem também o nome comercial de Corozo e Jarina.
 
Madrepérola - Porção nacarada, ou nácar, que cobre o interior de alguns moluscos, com
composição semelhante à da pérola, sendo a sua matéria constituinte. Ocorre
fundamentalmente na Austrália, EUA, Filipinas, Myanmar e Nova Zelândia.
 
Material Gemológico - Material que reúne condições para ser aplicável em joalharia, ou
apta para uso pessoal de ornamentação, incluindo minerais (e.g. diamante), rochas (lápis
lazúli), materiais orgânicos (coral), materiais amorfos naturais (opala) e produtos artificiais
(e.g. pedras sintéticas).
 
Mesa - (1) (Lap.) Faceta que é geralmente a maior superfície plana existente na coroa de
uma pedra facetada. (2) Estilo de lapidação. Ver talhe mesa.
 
Minas Novas - (1) Nome comercial de material gemológico incolor, facetado,
normalmente engastado em cravação fechada com forro reflexivo e que é comum em
joalharia de prata de finais de princípios do século XIX e inclui quartzo hialino, topázio
incolor, goshenite, água-marinha muito clara e vidro. A expressão não tem significado
gemológico ou mineralógico, mas sim meramente histórico e tipológico em estudos de
joalharia. (2) Localidade mineira do estado de Minas Gerais, no Brasil, de onde eram
extraídos topázio, crisoberilo, andaluzite e almandina.
 
Moissanite sintética - Carbureto de silício sintético, com qualidade gemológica, que
surgiu no mercado em 1995, vinda dos EUA, sendo actualmente também produzida na
Rússia. É quase incolor (tom amarelado ou esverdeado), muito brilhante e dureza elevada,
sendo utilizado como imitação do diamante.
 
Moldavite - Vidro natural de cor verde gerado pelo impacte de um meteorito que atingiu a
região de Riess na Alemanha.
 
Morganite - Variedade rosa de berilo, devendo-se a sua cor a pequenas quantidades de
manganês, podendo ter tonalidades alaranjadas, produzindo uma cor salmão. Ocorre no
Brasil, Moçambique, Madagáscar e EUA.
 
 
N
Nácar - Material constituído por camadas microscópicas de aragonite e conchiolina
(proteína), que reveste o interior de certos moluscos (madrepérola) sendo também o
constituinte essencial da pérola. A interacção da luz com estas camadas origina o brilho a
que se chama, por isso, nacarado.
 
Nefrite - Variedade de anfíbola, translúcida e semi-opaca, algo comum, que ocorre em
tons esverdeados, cremes e acastanhados, de textura fibrosa, microcristalina, que lhe
confere elevada tenacidade. Pode ocorrer em grandes blocos com várias toneladas de
peso. Foi esta variedade de jade que foi trabalhada na China desde o Neolítico. Ocorre na
China, Sibéria, Nova Zelândia, Canadá, EUA, Europa Central, Austrália e em Taiwan (Ilha
Formosa).
 
 
O
Obsidiana - Vidro vulcânico natural que ocorre em tons escuros (negro, cinzento e
castanho), por vezes bandado e iridescente, podendo apresentar inclusões brancas de
cristobalite, sendo esta conhecida pelo nome comercial de snow flake. Ocorre
fundamentalmente nos EUA e México.
 
Olho-de-gato - Efeito óptico de reflexão da luz causado por um conjunto de múltiplas
inclusões tubulares/aciculares paralelas (e.g crisoberilo, turmalina, silimanite e opala).
Sinónimo de acatassolamento.
 
Olho-de-tigre - Nome comercial da variedade amarelada e bandada de pseudo-
crocidolite, com impurezas de óxidos de ferro, que ocorre na África do Sul.
"nix - Variedade de ágata com bandas de cor castanha muito escura a preta e bandas
brancas, sendo a sua esmagadora maioria obtida por tingimento.
 
Opala - Material amorfo, essencialmente constituído por esférulas de silica e água
com diversas variedades: opala preciosa negra, opala preciosa branca, boulder, opala de
fogo, hialite, hidrofana, contra-luz, xilopala, cacholongo, verde, azul. Ocorre na Austrália,
México, Brasil, EUA, Etiópia. Imitações: dobletes e tripletos, plástico, pedra de slocum
(vidro). Existem opalas sintéticas no mercado.
 
Oriente - Expressão de gíria que diz respeito ao brilho nacarado da pérola e da superfície
de certos moluscos (madrepérola).
 
 
P
Padparadscha - Designação singalesa alusiao à cor da flor de lotus da variedade de safira
de cor laranja-rosada. Esta variedade colorida é extremamente rara e procede unicamente
do Sri Lanka.
 
Pavilhão - (Lap.) Porção inferior de uma pedra lapidada, separada da coroa pela cintura.
 
Pedra-da-Lua - ver adulária.
 
Pedra-da-Lua negra - Nome comercial da labradorite iridescente.
 
Pedra Preciosa - Sinónimo de gema.
 
Pedra Semi-Preciosa - Termo enganador, internacionalmente banido, que não deve ser
empregue em gemologia. Sugere-se a utilização das expressões pedra preciosa ou gema.
 
Pedra Sintética - Produto artificial cristalino que apresenta a mesma composição química
e a mesma estrutura do que um material gemológico natural existente, tendo, em primeira
análise, as mesmas propriedades físicas e químicas que o seu parente natural (e.g. safira
sintética, esmeralda sintética, diamante sintético).
 
Peridoto - Nome dado à olivina quando de qualidade gemológica em tons de verde que
ocorre no Myanmar (os melhores exemplares), Sri Lanka, Paquistão, EUA. Imitações: vidro,
dobletes.
 
Pérola - Substância de origem orgânica que resulta da actividade de seres vivos, neste
caso de moluscos. O seu aparecimento está relacionado com uma reacção que o animal
tem face a uma eventual irritação. Em sua defesa, a ostra envolve o agente da
perturbação, o corpo estranho, com sucessivas camadas de nácar o que pode resultar, no
prazo de alguns anos, numa pérola. Ocorre no Golfo Pérsico, Golfo de Manaar (e outras
regiões do Índico), Mar Vermelho, Golfo do México, Caraíbas e de outras regiões desta
zona.
 
Pérola de água-doce - (1) Pérola natural de água doce (raras). (2) Nome pouco rigoroso
das pérolas de cultura de água-doce.
 
Pérola de Cultura - Pérola resultante da intervenção do Homem quer em águas salgadas,
quer em águas doces e com ou sem inserção de núcleo. Constituem a esmagadora
maioria das pérolas que actualmente se vêem no mercado esurgiram na década de 1920
por mão de Kokichi Mikimoto.
 
Pérola de cultura Akoya - Vulgarmente denominada de pérola japonesa, esta pérola de
cultura nucleada provém da ostra Akoya (Pinctada fucata martensii). Tem, normalmente,
de 4 a 9 milímetros de diâmetro. Provém do Japão, México, China, e Tailândia.
 
Pérola de cultura de água doce - Pérola de cultura geralmente não-nucleada produzida
em lagos de água-doce e surgem em formas variadas: bago-de-arroz (mais conhecida),
pêra, botão, oval e esférica. As colorações vão do branco aos mais variados tons de rosa.
Podem ultrapassar os 14 milímetros de diâmetro. São produzidas na China e no Vietname.
 
Pérola de Cultura dos mares do Sul - Vulgarmente denominada pérola australiana, é, por
vezes, tida como pérola natural, o que não corresponde à realidade. Provém da ostra
Pinctada maxima e tem normalmente de 10 a 18 milímetros de diâmetro. Provém da
Austrália, Filipinas e Indonésia.
 
Pérola do Tahiti - Vulgarmente denominada pérola negra, esta pérola de cultura provém
da ostra Pinctada margaritifera e tem normalmente de 10 a 16 milímetros. Provém da
Polinésia Francesa e das Ilhas Kook.
 
Pérola Keshi - Pérola de cultura, sem núcleo que é sub-produto do processo de cultura
nucleada.
 
Piqué - (1) Expressão de gíria que faz referência a inclusões visíveis a olho nu, em
particular para o diamante; (2) expressão de gíria que faz referência às imperfeições
superficiais observadas em pérolas de cultura.
 
Piropo - Variedade de granada, rica em magnésio, geralmente de cores vermelhas que
ocorre na Índia, República Checa (Boémia), Brasil, EUA, Moçambique.
 
Ponto - Expressão de gíria que diz respeito a centésima de quilate: 1 ponto = 0,01 ct.
 
 
Q
Quartzo - Importante e vasto grupo mineral, essencialmente constituído por sílica, com
variedades gemológicas macrocristalinas (cristal-de-rocha, ametista, citrino, ametrino,
fumado , prasiolite, róseo; e criptocristalinas (calcedónia, ágata, cornalina, sarda, plasma,
prásio, ónix, crisoprásio, jaspe). Inclui variedades com efeito de estrela e com inclusões
(rútilo, turmalina).
 
Quartzo aventurina - Quartzito com inclusões de fuchsite, cuja profusão lhe confere uma
cor verde, textura e aventurescência características.
 
Quartzo fumado - Variedade de quartzo acastanhado, mais ou menos escuro, podendo ser
ligeiramente acinzentado. Quando muito escuro é denominado morion.
 
4 C's _ (Diam.) Quatro critérios de classificação do diamante lapidado: carat (quilate),
colour (cor), clarity (pureza) e cut (talhe).
 
Quilate - Unidade internacional de medida do peso de gemas que equivale a 200
miligramas (0,2 g ou um quinto do grama) com a sigla "ct". O quilate métrico foi aprovado
como standard, em 1907, pelo Comité International des Poids et Mesures, na sua
Conferência Geral de Paris, e introduzido em Portugal em 1911.
 
 
R
Rodocrosite - Mineral (carbonato de manganés) de cor rosa, geralmente translúcido a
opaco, que ocorre normalmente em estalactites ou estalagmites, tendo um bandeado
muito característico. Ocorre raramente em cristais transparentes e é lapidado
pincipalmente para coleccionadores. Ocorre na Argentina, Peru, EUA e África do Sul.
 
Rodonite - Mineral do grupo dos piroxenóides (silicato de manganés), cor-de-rosa,
translúcido a opaco, por vezes percorrido por veios negros de óxido de manganés, e que é
usado como pedra dura. Ocorre nos EUA, Canadá, Austrália, Japão, Rússia, Suécia e
Tanzânia.
 
Rodolite - Nome comercial da variedade cor de rosa de almandina.
 
Rubelite - Designação gemológica da turmalina (elbaíte) rosa a vermelha que ocorre no
Brasil, Moçambique, Malawi, Nigéria, Rússia, EUA e Madagáscar.
 
Rubi - Variedade vermelha de corindo extremamente rara nos exemplares de tom vermelho
vivo e sem inclusões. Pode ocorrer com efeito de estrela. Ocorre em Myanmar (Mogok com
pedras de grande qualidade e Mong Hsu com mais de 90% da produção mundial),
Vietname, Tailândia, Cambodja, Índia, Quénia, Tanzânia, Madagáscar, Sri Lanka,
Paquistão, Afeganistão, China, Tadjiquistão, Nepal e Laos. No que diz respeito ao
comércio, a Tailândia é líder mundial. O rubi é habitualmente tratado termicamente,
podendo ocorrer preenchimento de cavidades e fracturas. Imitações: espinela, rubelite,
vidro, dobletes. O rubi sintético é fabricado comercialmente desde o início do séc. XX.
 
Rubi-Espinela - Expressão comercial antiga para designar a espinela vermelha.
 
 
S
Safira - Variedade gemolígica de corindo, assumir-se a cor azul quando o nome é
utilizado sem indicativo de cor sendo que as outras variedades de todas as cores, excepto
o rubi, são referenciadas com um indicativo de cor. A variedade laranja rosada do Sri
Lanka é conhecida como padparadscha. Pode ocorrer em pedras com asterismo. Procede
de Kashmir na Índia (os melhores exemplares) Myanmar, Sri Lanka, Tailândia, Cambodja,
Austrália, Tanzânia, EUA e Madagáscar. Uma percentagem muito significativa das safiras
são tratadas termicamente. Imitações: cordierite, vidro, espinela natural e sintética. A safira
sintética é fabricado desde o início do séc. XX.
 
Safira branca - (1) Nome comercial da safira incolor. (2) Nome erróneo de gíria que refere
materiais gemológicos incolores que imitam o diamante.
 
SI (SI1 , SI2) - Termo técnico alusivo à classificação de claridade ou pureza do diamante
que é atribuído a pedras com inclusões fáceis de localizar com a lupa de 10x, mas
invisíveis a olho nu. As sub-divisões SI1 e SI2 só podem ser aplicadas em diamantes de
peso superior a 0,47 ct.
 
Sodalite - Feldspatóide translúcido de cor azul, raramente transparente, massivo, que é um
dos constituintes essenciais do lápis lazúli, podendo até ser confundido com ele, que
ocorre no Brasil, EUA, Canadá e Namíbia.
 
 
T
Talhe Antigo - (Lap.) Expressão de gíria que diz respeito a estilos de lapidação do
diamante, anteriores ao talhe brilhante moderno, e que inclui os talhes duplos e triplos,
normalmente caracterizados por contornos irregulares, mesas pequenas e culatras grandes.
 
Talhe Brilhante - (Lap.) Estilo de lapidação com 57 a 58 facetas especialmente desenhado
e desenvolvido para se conseguir o melhor compromisso possível entre o brilho e o fogo do
diamante. Está concebido de tal forma que, teoricamente, toda a luz que entra pela mesa
sai pelas restantes facetas da coroa, fazendo com que esta seja separada nas suas
componentes espectrais (cores do arco íris), produzindo o efeito emissão de raios coloridos
de dentro da pedra. O contorno mais frequente é o redondo, havendo outras formas: oval,
pêra, naveta (também designado marquise) e coração.
 
Talhe Ceilão - ver talhe misto.
 
Talhe Esmeralda - (Lap.) Estilo de lapidação, bastante utilizado na esmerlda, de contorno
rectangular a quadrangular (chamando-se neste caso talhe octogonal), geralmente duas
fiadas de facetas rectangulares na coroa e três no pavilhão, lembrando degraus, e os
cantos cortados.
 
Talhe Mesa - Talhe ancestral, comum em diamantes nos sécs. XVI e XVII, de contorno
quadrangular e geralmente com 10 facetas (5 na coroa e 5 no pavilhão), evidenciando
uma grande faceta na coroa a que se chamou mesa, tabla ou távola.
 
Talhe Misto - Estilo de lapidação muito usado em pedras de cor, como, por exemplo, o
rubi e a safira, em particular no sudeste asiático. Normalmente, a coroa tem características
de talhe brilhante e o pavilhão características de talhe esmeralda (em degraus). O nome
talhe Ceilão é também utilizado como sinónimo.
 
Talhe Rosa - (Lap.) Surgiu no séc. XV, com grande aplicação no diamante. Tem as
facetas geralmente de forma triangular, sendo como que um cabuchão de topo facetado.
 
Tanzanite - Variedade violeta-azul de zoizite de brilho intenso e pleocroísmo forte e que
ocorre exclusivamente na Tanzânia, daí o nome. Descoberta em 1967 por um português
de Goa, constitui actualmente uma das mis procuradas gemas no mercado internacional.
Entre as imitações mais frequentes conta-se o vidro, a safira sintética e a forsterite sintética.
 
Titanato de Estrôncio - Pedra sintética fabricada, desde 1953, nos EUA, que quando
incolor foi muito utilizado como imitação de diamante.
 
Topázio - Mineral comum, normalmente transparente, que pode ocorrer em várias cores:
incolor, amarelo, rosa, imperial (laranja forte), azul e castanho. O topázio azul é
normalmente obtido por tratamentos de irradiação, seguido por tratamento térmico.
Imitações: - citrino, vidro. Ocorre um pouco por todo o Mundo: Brasil, Nigéria, Paquistão,
Afganistão, Rússia, EUA, México.
 
Topázio Imperial - Variedade gemológica do topázio cor-de-laranja forte, com ligeira
tonalidade rosa que, descoberto na segunda metade do séc. XVIII na região de Ouro Preto,
em Minas Gerais, Brasil. Foi bastante utilizado em joalharia portuguesa da segunda
metade do séc. XVIII. Comercialmente, é usual chamar-se topázio imperial ao topázio
amarelo, o que é incorrecto.
 
Tripleto - Pedra composta que junta três partes de materiais diferentes.
Tsavorite - Variedade gemológica de grossulária (granada) de cor verde muito valorizada
que procede do Quénia e Tanzânia. Imitações: vidro, YAG.
 
Turmalina - Importante grupo mineral que tem variedades gemológicas de todas as cores,
tendo algumas nomes comerciais particulares: incolor - acroíte; verde - verdelite; rosa -
rubelite; azul - indicolite; negro - escorlite; verde-azulado intenso - paraíba; variedades
bicolores, melância, e tricolores; variedades com efeito olho-de-gato. Existe uma
classificação mineralógica das turmalinas, que se baseia na sua composição química.
Ocorre um pouco por todo o Mundo, dependendo da variedade gemológica.
 
Turmalina de Paraíba - Variedade rara de turmalina rica em cobre, que ocorre em tons de
azul intenso, verde azulado e púrpura a violeta que foi descoberta em 1982 no estado de
Paraíba, Brasil. Ocorre actualmente também Ina Niégria e em Moçambique. Imitações: Apatite azul clara, dobletes e tripletos, berilo azul esverdeado sintético hidrotermal, topázio irradiado.
 
Turquesa - Mineral de cobre azul a esverdeado, frequentemente com veios negros. Ocorre
no Irão, EUA, México, China (Tibete), Uzbequistão, Índia e Austrália. A quase totalidade da
produção mundial é submetida a um ou outro tipo de tratamento para melhorar a sua cor
e/ou consistência. Imitações: variscite, crisocola, odontolite, howelite tingida, mármore
tingido, vidro, plástico, porcelana e outras cerâmicas. Em 1972, a firma Gilson apresentou
uma turquesa sintética.
 
 
U
Unakite - Nome comercial do granito rico em epídoto, contendo grãos cinzentos (quartzo),
rosa (feldspato) e verde (epídoto) que é muito utilizado em contas de colar e pulseira.
 
 
V
Vidro - (1) Material amorfo artificial que é produzido há milénios em múltiplas cores (e.g.
incolor, azul cobalto, verde-garrafa) e graus de transparência (do transparente ao opaco),
tendo composições químicas variadas.
 
Vidro aventurina - Produto artificial, geralmente de cor castanha ou lilás escura, com
inúmeras inclusões douradas de cobre metálico, que lhe conferem um brilho e textura
próprias.
 
Vidro Natural - Substância amorfa, vítrea, que ocorre na natureza como resultado de
eventos geológicos particulares, como, por exemplo, vulcanismo (e.g. obsidiana), um
impacte meteorítico (e.g. moldavite).
 
VS (VS1 , VS2) - Termo técnico alusivo à classificação de claridade ou pureza do
diamante, que é atribuído a pedras com inclusões difíceis de localizar com a lupa de 10x.
As sub-divisões VS1 e VS2 só podem ser aplicadas em diamantes de peso superior a 0,47
ct.
 
VVS (VVS1 , VVS2) - Termo técnico alusivo à classificação de claridade ou pureza do
diamante, que é atribuído a pedras com Inclusões muito pequenas, escondidas e
extremamente difíceis de localizar com a lupa de 10x. As sub-divisões VVS1 e VVS2 só
podem ser aplicadas em diamantes de peso superior a 0,47 ct.
 
 
W
Wesselton - Termo antigo, em desuso, que diz respeito à classificação de cor de
diamantes (aproximadamente equivalente à cor H da escala GIA e CIBJO).
 
 
Y
YAG - Abreviatura do termo anglo-saxónico de Yttrium Aluminium Garnet. Produto artificial
introduzido na década de 1960 inicialmente como imitação de diamante.
 
 
Z
Zircão - Mineral relaticamente comum (silicato de zircónio) que ocorre em variedades
gemológicas de diversas cores, destacando-se o incolor, azul, castanho e verde, tendo
constituído até ao séc. XX um dos mais relevantes substitutos do diamante. Ocorre no Sri
Lanka, Myanmar, Brasil. A zircónia cúbica não é zircão sintético.
 
Zircónia Cúbica - Também denominada zirconite, CZ ou zircónia é um produto artificial
(óxido de zircónio) que surgiu, em 1976, na então União Soviética, e que é, desde então,
uma das mais importantes e difundidas imitações de diamante. É produzido em todas as
cores. A zircónia cúbica não é zircão sintético.
 
Zoizite - Mineral hidroxilado de cálcio que tem diversas variedades gemológicas: thulite
(rosa massiva), aniolite (verde massiva), tanzanite (violeta) e outras variedades transparentes
com colorações verdes (zoizite verde), amareladas e acastanhadas (procedentes
fundamentalmente da Tanzânia).
GLOSSÁRIO GEMOLÓGICO v