CICLO DE CONFERÊNCIAS NO AQUÁRIO VASCO DA GAMA
 
Estão abertas as inscrições (gratuitas) para os dois módulos de quatro conferências sobre pedras preciosas e o mar (reedição actualizada das sessões de 2005) e sobre gemas no Mundo que vão ter lugar entre 21 de Agosto e 13 de Setembro conforme informação em baixo. As conferências, orientadas pelo gemólogo Rui Galopim de Carvalho, resultam de um protocolo entre o Museu Nacional de História Natural (Mineralogia e Geologia) e o Aquário Vasco da Gama, local onde estas se irão realizar, e estão integradas nas actividades da Geologia no Verão, uma iniciativa do Ciência Viva (Ministério da Ciência e Ensino Superior).

Para se inscrever basta aceder à página web do Ciência Viva, procurando depois a acção respectiva (a meio da longa página...), em http://www.cienciaviva.pt/veraocv/geologia/geo2007/index.asp?accao=showactiventidade&id_entidade=125&id_actividade=3

Segue em baixo a programação das conferências:


GEMAS DO MAR
terças-feiras de 21 de Agosto a 11 de Setembro, pelas 18:00

(21 Agosto) - Pérolas & Pérolas de Cultura
Pérolas Naturais formação, tipos de pérolas (nacaradas e não-nacaradas), distribuição geográfica, história e simbolismo
Pérolas de Cultura, história, impacto no mercado, produção, metodologias, regiões produtoras, tipos de cultura.
Moluscos perlíferos no Mundo.

(28 de Agosto) - Corais, Concha, Madrepérola, Tartaruga e alguns marfins
Corais - tipos de corais, nomenclatura, história e distribuição geográfica. Imitações e tratamentos.
Concha e madrepérola - Semelhanças e diferenças. História da utilização.
Tartaruga_ marfim de nerval, cachalote e morsa. CITES: regulamentação internacional para o controlo do comércio de espécies em vias de extinção.

(4 de Setembro) - O Mercado das Pedrarias nos Mares de Quinhentos
A expansão marítima portuguesa numa perspectiva gemológica. Goa como capital oriental das pedrarias. Os relatos de Garcia da Horta e de Fernão Mendes Pinto.
As gemas que chegaram em quantidade à Europa por via marítima no séc. XVI: diamante, rubi, safira, esmeralda, pérola, granadas, etc, etc.
Alguns achados arqueológicos em embarcações naufragadas: O caso do Nuestra Senhora de Atocha.

(11 de Setembro) - Outras Gemas no Mar - Âmbar e Diamantes
Âmbar do Báltico - Formação e distribuição geográfica, história, inclusões curiosas, identificação, imitações. O copal.
Diamante - A exploração do diamante nas costas da Namíbia e da África do Sul. Mecanismo de deposição, formação, métodos extractivos.


GEMAS DO MUNDO
quintas-feiras de 23 de Agosto a 13 de Setembro, pelas 18:00


(23 de Agosto) - Gemas de África
O continente africano é uma das procedências históricas mais relevantes para as pedrarias, em particular as que adornaram os tesouros das civilizações egípcias. Com as incursões para Sul e, mais tarde, com Vasco da Gama nas rotas da Índia, iniciou-se uma procura de preciosidades na Austral e Oriental que, no que diz respeito às pedrarias, apenas teve resultados significativos a partir do séc. XIX.
Actualmente, em África situam-se as mais importantes ocorrências diamantíferas mundiais (e.g. Botswana, África do Sul, Angola, R.D. Congo, Namíbia), assim como o maior produtor mundial de safiras, Madagáscar, de tanzanites, a Tanzânia, sendo também casa de significativas ocorrências de turmalinas (Moçambique, Namíbia e Nigéria), alexandrites e espinelas (Tanzânia), olho-de-tigre e sugilite (África do Sul), tsavorite (Quénia), esmeraldas (Zâmbia e Zimbabwe), opalas (Etiópia), e cristal-de-rocha de alta qualidade (Madagáscar).

(30 de Agosto) - Gemas das Américas
Ainda Cristóvão Colon não havia chegado ao Novo Mundo, já as civilizações locais conheciam a utilização de diversas gemas das quais se destacaria a esmeralda (Colômbia) e a jadeíte, ou jade (Guatemala). Ainda hoje, a Colômbia fornece as melhores esmeradas para o mercado.
No Brasil, a busca do ouro e outras preciosidades levadas a cabo pelos bandeirantes, resultou na descoberta dos diamantes em Minas Gerais em 1725, cuja febre mineira, permitiu que muitas outras pedras fossem exploradas e trazidas para a Europa, tais como, por exemplo, o crisoberilo, o topázio imperial, a água marinha, a ametista e o cristal-de-rocha. Foi apenas, porém, no século XX que se deram as grandes descobertas de outras pedras de cor no Brasil, tais como a esmeralda, as turmalinas, as granadas, as ágatas, as espodumenas, as alexandrites, etc.
Rumando a Norte, não esquecendo as rodocrosites da Argentina, passamos pelo México, conhecido pelas opalas de fogo e pela obsidiana, e entramos no Arizona (EUA) de onde procedem turquesas de grande categoria. Aliás, os EUA são prolíferos em gemas, contando com algumas bem raras, tais como a benitoíte e a hiddenite. Chegando ao Canadá, temos um dos maiores produtores de diamantes de descoberta recente e em crescente expansão.

(6 de Setembro) - Gemas da Ásia
Marco Polo mencionou a grande riqueza gemológica do continente e os navegadores portugueses de quinhentos assim o confirmaram e comprovaram com as remessas de pedrarias vindas de Goa, a então capital oriental das pedrarias. Já nessa altura se estimavam os rubis do Myanmar (Pegu, mais tarde Birmânia) e as safiras do Ceilão (Sri Lanka). Com efeito, ainda hoje, o Myanmar é o principal produtor de rubis do Mundo, em especial a partir dos anos 1990 quando se descobriram os jazigos de Mong Hsu, e produz safiras azuis de grande categoria. Aliás todo o sudeste asiático tem importantes reservas destas variedades gemológicas de corindo (e.g. Vietname, Tailândia, Cambodja). A Índia é uma potência gemológica por excelência ocorrendo no território quase todas as gemas, o mesmo se passando com a China. Com especial interesse refira-se o Sri Lanka que não só produz safiras de cor características, incluindo as Padparadscha, mas também outras gemas interessantes como o zircão, granadas, espinelas, kornerupite e sinhalite.
Pelo Paquistão e Afeganistão, chegando ao Irão, existem também importantes ocorrências de gemas, salientando-se a esmeralda, água-marinha, rubis, espinelas e lápis lazúli.

(13 de Setembro) - Gemas da Europa e Oceânia
A Europa hoje em dia não tem grande significado no panorama gemológico mundial. No passado, contudo, algumas ocorrências mineiras animavam as oficinas de lapidação pelo continente, destacando-se as granadas da Bohemia (Rep. checa) e de Monte Suímo (em Belas, junto a Lisboa!), as ágatas de Idar e Oberstein na Alemanha, o azeviche de Derbishire em Inglaterra, as opalas de Czevernitza (Eslováquia) e as esmeraldas de Habachtal (Áustria). Actualmente, somente a Rússia tem um sector extractivo de pedrarias merecedor de destaque, em especial com os diamantes no norte e as belas esmeraldas e alexandrites nos Urais, mais a sul.
Por fim, há que falar na Oceânia, com destaque para a Austrália, não ignorando o kaori (copal) e nefrite da Nova Zelândia. De facto, a austrália é uma potência gemológica: com uma das maiores minas de diamantes do Mundo (Argyle) e de onde saem bons diamantes cor de rosa intensa. As opalas negras são uma imagem de marca do país, sendo daqui que procedem as mais espectaculares opalas preciosas do Mundo. Não se pode falar da Austrália e não falar do crisoprásio e, claro, das safiras que aqui ocorrem em grande quantidade e variedade.

http://www.cienciaviva.pt/veraocv/geologia/geo2007/index.asp?accao=showactiventidade&id_entidade=125&id_actividade=3shapeimage_1_link_0
GEOLOGIA NO VERÃO
2 de setembro de 2007