Minas Novas:
o que são afinal?
 
Para a grande maioria dos consumidores esta expressão "Minas Novas", significa provavelmente um tipo muito particular de gema incolor proveniente de uma ocorrência algures no Brasil, provavelmente até de Minas Novas, uma localidade no Estado de Minas Gerai, de onde já não há produção, sendo, portanto, pedras raras.
A evidência gemológica, científica e rigorosa revela a realidade que nada tem que ver com o que corre no mercado acerca destas alegadas gemas raras e porventura valiosas.
Foram caracterizadas gemologicamente centenas de jóias de finais do séc. XVIII (e princípios de XIX) em prata com pedras incolores que estavam referenciadas como "Minas Novas", nos vários Museus Nacionais e colecções particulares que foram abordados para o estudo
Desta rigorosa e prolongada investigação, foram identificados os seguintes materiais incolores, previamente referenciados como "Minas Novas":
Quartzo hialino (vulgarmente denominado cristal-de-rocha)
Topázio incolor (também denominado "pingo d'água, no Brasil)
Goshenite (berilo incolor)
Água-marinha muito clara (o tom azul deste berilo é quase imperceptível)
Vidro
Assim apresentamos uma definição possível para "Minas Novas":
Minas Novas corresponde a uma gema incolor engastada com forro em joalharia de Prata de finais do século XVIII (princípios de XIX), normalmente proveniente do Brasil. A natureza gemológica da pedra não é relevante, desde que seja incolor, sendo as gemas utilizadas com mais frequência quartzo hialino, o topázio incolor e a goshenite. A expressão não tem significado gemológico ou mineralógico, mas tem, isso sim, significado histórico e tipológico em estudos de joalharia.
Dados os resultados categóricos e inequívocos deste estudo científico, recomendamos vivamente que a expressão "Minas Novas" seja abandonada pelos profissionais de ourivesaria e joalharia e que estes ajudem, educando os seus clientes, os consumidores a entender esta realidade.
 
Gemologia: História e Joalharia
2006/12/23
Pormenor de um meio-adereço com topázios incolores.
Séc. XIX
1º quartel