Muitas são as pessoas que, ainda hoje, crêem que as opalas dão azar. Ao invés do que se pensa, a superstição não é tão antiga como parece. Pelo contrário, Plínio, O Velho (23-79 DC), colocava a opala em segundo lugar do “ranking” das pedras preciosas, ainda que, ao que parece, nessa altura não se conhecia a sua utilização gemológica, havendo quem sustente que Plínio se referia ao quartzo irisado e não á opala propriamente dita. De qualquer forma, no século XVI, viam-se nas opalas todas as virtudes das gemas cujas cores exibia. Mais tarde, em França, durante o reinado de Luís XIV (1643-1715), há um incidente envolvendo a reputação desta gema, implicando um dos seus coches, o "Opala", que terá tido um acidente em virtude da embriagues do cocheiro... Mesmo assim, ainda não foi aqui que nasceu a má fama da opala. O virtual causador da actual má fama desta pedra foi, certamente sem intenção, o grande escritor escocês Sir Walter Scott. Na sua novela Anne de Geierstein, publicada em três volumes em 1829, o autor faz referência a uma opala que terá estado relacionada com a causa da morte da misteriosa avó da protagonista, história que até nem tem final infeliz se se ler o terceiro volume da novela. A realidade é que, no ano seguinte à sua publicação, o preço das opalas baixou consideravelmente e começou-se então a escrever acerca do “azar das opalas”.
Nesta altura as opalas existentes nos mercados eram fundamentalmente as “húngaras”, cujos jazigos hoje se encontram fundamentalmente na Eslováquia. Já para o fim de oitocentos descobrem-se os ricos e variados depósitos australiano, quase a par dos depósitos mexicanos e, mais tarde, dos brasileiros.
O que hoje ainda subsistirá quanto ao “azar da opala” será mais a grande fragilidade que estas raras gemas têm e que advém fundamentalmente da sua composição e estrutura onde a água tem um papel fundamental. As opalas merecem, assim, cuidados especiais não só por parte do designer, cravador, ourives e utilizador, mas também do lojista e conservador de museu onde as condições das montras, vitrinas e outros locais de exposição podem ser danosos para estas pedras.