Desde 1995 que começaram a correr os rumores acerca da produção de uma nova imitação de diamante que iria revolucionar o sector, à semelhança do que sucedeu em 1970 com a zircónia. Foi quando surgiu a moissanite sintética (MSint), um material gemológico muito semelhante ao diamante: quase incolor, bastante brilhante, com um fogo pronunciado (causado pela dispersão da luz) e, para os menos atentos e informados, bastante enganadora na sua identificação.
Em finais do séc. XIX, sintetizaram-se, por acidente, cristais de carbureto de silício (SiC) com uma dureza bastante elevada, 91/4 na escala de Mohs (imediatamente abaixo do diamante) sendo usados como abrasivos. A este material foi dado o nome de carborundum, ou carborundo. Estes foram os primeiros cristais de MSint mas ainda sem a qualidade gemológica que só foi conseguida a partir de 1995 pela firma americana C3. Constata-se então o grande problema: o teste destas pedras com os convencionais diamond testers ou diamond probes era enganador. Tendo sido até então muito eficazes na separação do diamante das imitações existentes (zircónia cúbica, GGG, YAG, etc.), com a MSint a reacção dos aparelhos era igual à do diamante, ludibriando o observador.
Já existem aparelhos sofisticados e porventura dispendiosos, que fazem este trabalho com rigor, mas a nossa eterna companheira LUPA de 10X pode ser suficiente. Assim, sugerem-se estes passos para a identificação expedita da MSint.
1º - Saber da existência da MSint como imitação do diamante (fundamental)
2º - Observação da cor: normalmente, as MSint são esverdeadas ou amareladas, sendo o esverdeado mais diagnóstico do que o amarelado (este existe com frequência no diamante)
3º - Observação à lupa de 10x:
Tentar localizar inclusões típicas da MSint (ou do diamante): na MSint podem observar-se inclusões aciculares longas
No interior da pedra, verificar se se observa a duplicação óptica de facetas e arestas, que, a existir, é o resultado da birrefrangência da pedra (inexistente no diamante)
Que não se entendam estes passos como um guia rigoroso de identificação da MSint. Servem estes apenas para demonstrar que esta imitação do diamante só pode constituir problema para os compradores menos informados e atentos às características básicas desta pedra. Os aparelhos ajudam, mas a simples observação criteriosa é um procedimento que pode ser suficiente para nunca se ser apanhado de surpresa.