Aventurina: o que é na realidade
 
Existe no mercado um material gemológico opaco, de cor geralmente castanha e com inúmeras inclusões douradas, minúsculas, que lhe conferem um brilho muito próprio. A este material é dado o nome de “aventurina” e costuma ser utilizado, por exemplo, como contas em pulseiras, colares, etc.. Existem até algumas casas comerciais que anunciam este material como proveniente da Índia, presumivelmente de uma exloração mineira.
Na realidade, este conhecido material, que em inglês é tem o nome comercial de “goldstone”, não é mais do que vidro (um produto artificial, portanto) com inclusões de cobre metálico (de cor dourada e que nada têm a ver com ouro, como alguns consumidores julgam). A origem do nome “aventurina” estará precisamente associada ao processo artificial de fabrico destes materiais gemológicos. De acordo com uma história ou lenda antiga, ainda que pouco fundamentada, diga-se, um vidreiro de Murano, perto de Veneza, Itália, terá deixado cair “ao acaso” limalha de cobre para dentro de vidro em fusão. Curiosamente, em italiano “ao acaso” traduz-se “par aventure”, daí o nome do material. Este processo antigo só foi redescoberto muitos anos mais tarde, em 1827, por um outro vidreiro seu conterrêneo, indicando que a sua presença nos mercados é já centenária, não obstante se tratar de um produto artificial.
 
Todavia, a confusão de nomenclatura pode facilmente ocorrer, já que existem outros materiais, estes sim naturais, que também se apelidam de aventurina. Este é o caso do “quartzo aventurina” que, não sendo propriamente uma variedade de quartzo, mas sim um quartzito (rocha essencialmente constituída por grãos deste mineral), é caracterizado por conter inclusões de uma mica verde, a fuchsite, cuja profusão lhe confere uma cor verde e uma textura características. A outra gema que também usa o nome “aventurina” é um feldspato alaranjado, conhecido em inglês por “sunstone” que deve a sua aparência a inúmeras inclusões de óxidos e hidróxidos de ferro (hematite e goetite). O comum nestas “aventurinas” é apenas o facto de conterem pequenas inclusões em grande número que contribuem para a cor e textura finais da pedra.
 
A mensagem fundamental deste comunicado é o esclarecimento inequívoco dos profissionais e, consequentemente, dos consumidores de que estas pedras acastanhadas com brilhos dourados são, efectivamente, VIDROS ARTIFICIALMENTE PRODUZIDOS, e não um qualquer mineral natural proveniente de uma qualquer exploração mineira na Índia ou outro lugar.
 
 
Gemologia: Nomenclatura
2006/12/29
Contas de vidro aventurina em terço do séc. XVII (?).
Foto Carlos Pombo Monteiro
© Fundação Eugénio de Almeida