Tanzanite: Porque não em Portugal?
 
Em Portugal poucos serão os que conhecem esta gema azul-violeta que nos últimos anos tem registado um aumento relativo nos seus valores médios de mercado. O seu nome é bastante sugestivo da sua procedência geográfica: a Tanzânia, sendo este (ainda) o único país produtor desta variedade gemológica do mineral zoizite. Desde que foi pela primeira vez identificado em Merelani, perto de Arusha (norte do país), aparentemente por um natural de Goa de nome Manuel de Sousa nos anos 1960, esta gema conheceu uma espectacular onda de popularidade em particular nos EUA onde a Casa Tiffany & Co. teve um papel fundamental tanto no seu baptismo como tanzanite, como na sua apresentação ao Mundo e subsequente promoção.
Já mais recentemente, criou-se uma organização para a promoção desta pedra preciosa, a Tanzanite Foundation, que tem sido relevante na apresentação de novas soluções para a sua utilização, designadamente pela produção de concursos de design de joalharia e pelo planeamento de campanhas de marketing de nível internacional, com ligações a celebridades de primeiro plano mediático. Diga-se, aliás, que a nível internacional raras são as gemas que são alvo específico de campanhas de marketing continuado, tal como sucede com o diamante desde há muitas e muitas décadas, havendo até algumas analogias na forma como nesta matéria a tanzanite oferece condições particularmente favoráveis para o efeito, não só por ocorrer numa área geográfica circunscrita (pelo menos por enquanto) e por estar , que ocorre num jazigo mineral de apenas alguns quilómetros quadrados de área, seja tão popular, procurada e valorizada pelos consumidores em geral, não obstante os boatos recentes que pretendiam relacionar o seu comércio ao terrorismo internacional, situação que foi catagoricamente desmentida pelo Departamento de Estado dos EUA.
A esta popularidade não será alheia a sua cor azul-violeta intensa, elevado brilho e transparência, que serão, se se quiser, boas alternativas às melhores safira. É certo que após os primeiros anos de grande procura houve que promover projectos de investigação científica para potenciar as capacidades do produto natural que era extraído das minas. Assim, foram desenvolvidas técnicas de tratamento térmico que permitem um melhoramento significativo na cor, com a obtenção dos tons mais comerciais, permitindo desta forma uma mais eficiente penetração de produto no mercado. Diga-se que, num mundo globalizado com biliões de consumidores, os tratamentos em gemas (e em outros produtos dos mais variados) são mais a regra do que a excepção, não devendo, portanto, haver nesta matéria qualquer complexo.
A situação de desconhecimento da tanzanite no nosso país pode decorrer do facto de o consumidor não a procurar, mas há que admitir que se não for o profissional a apresentar esse produto, mais longínquo fica o seu encantamento pelo público. E se é certo que os fornecimentos de tanzanite no passado eram pautados pela irregularidade tanto nas quantidades como nos preços, há, segundo relatórios recentes, esforços conjuntos na Tanzânia para equilibrar esta situação. Certo é também que os preços destas gemas são algo elevados para os padrões nacionais, ombreando com safiras de qualidade média-superior, o que também as colocará em patamares de preço pouco tradicionais entre nós. De qualquer forma, esta pedra preciosa detentora do tom azul-violeta mais apreciado do mercado, que por vezes atinge preços dignos de notícia, que foi descoberta por um Goês nos anos 60 e que apenas ocorre numa única localidade mineira no leste africano é seguramente algo a que o mercado português não pode ficar alheio e cumpre dar à tanzanite uma oportunidade, quanto mais não seja em memória do nosso compatriota, permita-se a simpatia, que emigrado na Tanzânia em busca de melhor vida a terá valorizado pela primeira vez.
 
Mercado: Gemas Desconhecidas
2007/06/01
Conjunto de anéis de alta-joalharia em platina, diamantes e tanzanites
© Tanzanite Foundation